PAI NOSSO QUE ESTAIS NO CÉU, SANTIFICADO SEJA O VOSSO..



Digamos que, em pleno séc. XXI, o tema «Motivação» continua a ser tabu. Para espanto ou desagrado do leitor este continua a ser um debate que estremece os grandes velhos do Restelo, de sorriso amarelo. 

“Gosto de falar no plural, eu e a minha equipa“ ou "não me posso esquecer da minha equipa, eles são o mais importante para mim" estes continuam a ser dos jargões mais utilizados para agrado das revistas cor-de-rosa e consequente vénia dos transeuntes menos informados, cá do burgo. A ironia está lá sempre, disfarçada por entre algumas patacoadas nervosas. Por cá, do outro lado da civilização menos representada, embora mais representativa, existe um certo desprezo para com essas lindas frases (lindas mesmo!) , porque na prática, sabemos que se resume (na maior parte das vezes) a um mero SLOGAN político. Nos casos mais sensíveis uma lágrima pode cair do canto do olho, mas depois passa. 

Mas afinal o que é isso de motivação ? Pagar uma bifana e uma palmadinha nas costas? Não. Um sorriso e um obrigado? Não está mal. Um salário digno, respeito e exemplo? Bingo!

Ninguém está motivado quando a única ambição passa por ter umas moedas no bolso para poder (sobre) viver até ao final do mês. É certo e sabido que um aumento de vírgulas no salário é motivante, mas o seu efeito confettis, champagne a estourar e aplausos barulhentos é curto. A comida (do staff) é importante também (oh sim!),  ainda há quem trate a fome por tu!

À parte o salário, a presença de uma figura forte é determinante. Não digo uma figura como habitualmente vemos nas igrejas , lá em cima, num pedestal, rodeada de flores e velas para todas as promessas e doenças, refiro-me mesmo a uma figura com dois braços e duas pernas que trabalha, lado a lado.  Alguém que se preocupa e que conhece cada membro ao pormenor. Só assim se consegue elevar o trabalho individual ao mais alto nível do coletivo. 
Continua a não ser suficiente erguer as mãos e dizer baixinho “ Pai nosso que estais no céu, santificado seja o vosso…”!

Todas as pessoas gostam de ser estimuladas, seja esse estímulo negativo ou positivo. Gostam de se sentir integradas num ambiente em que cada peça faz falta, em que cada pessoa é insubstituível. Provavelmente irão me dizer que estou equivocado. Mas não, não estou. Equivocado estaria se pensasse que cada elemento fosse substituível.

Cada pessoa é única. Cada elemento reúne um conjunto de características irrepetíveis, a começar pela impressão digital.

Governa-se uma cozinha exemplificando. Não será possível exigir mais se se faz menos. Não será possível exigir educação se se for mal educado. Não será possível exigir melhores resultados se se contentar com o medíocre, e por aí fora…
 Não é necessário transformarmos a cozinha num gabinete de psicologia ou num centro de treinos de ballet , nada disso ! É necessário o caos diário no bom sentido, daqui nasce a ordem. 

A sociedade está diferente. É peremptório alterar paradigmas, renovar sistemas sob pena de cairmos no terceiro jargão “ sempre foi assim “. 

E não se esqueçam, um "bom dia, está tudo bem? “ ,olhos nos olhos cai sempre bem e não apodrece a língua a ninguém .