CRIATIVIDADE (IN)CONSCIENTE

Publicado originalmente no ETASTE
Surge de forma consciente ou inconsciente. A parte consciente, a que controlamos, é gerida pelo lado mais racional, normalmente fechada sobre si. É o resultado do natural processo cognitivo. Esta pode ser afetada por fatores externos e até próprio estado de espírito. A parte inconsciente, a que não dominamos e nem sequer conhecemos verdadeiramente, é a responsável pelo nosso lado mais infantil e primitivo de toda a associação de ideias. Juntas são nada mais nada menos que sistemas organizados, quase automáticos na forma e no lugar. Servem-nos para agilizar o processo que se quer tão lento quanto possível.
Lentidão é a palavra-chave. A rapidez perturba quase sempre a tomada de decisões. Por isso não é bem-vinda, apenas na execução. A lentidão é por isso benéfica, pois resulta frequentemente, em vários processos difusos que se acumulam na desordem. A confusão ou mudança de perspetiva é obrigatória. A partir destas haverá, naturalmente, um início, e com is…

FESTIVAL - CASTELO DE PAIVA




A pedido da Câmara Municipal de Castelo De Paiva , serve esta mensagem para vos informar deste excelente evento que irá decorrer em Castelo De Paiva nos dias 10 e 11 de Março. O meu contributo em forma de texto segue no verso do panfleto ( no final da apresentação)


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Com este evento promocional, que será realizado numa tenda gigante aquecida, instalada junto ao rio, a autarquia paivense pretende que a iniciativa possa ganhar potencial e ser uma referência em termos turísticos. Aproveitando o facto de a lampreia continuar a ser uma iguaria apetecível, com forte tradição no concelho, motivará a visita de muitos apreciadores ao território.
Como prato sazonal, a lampreia à mesa com arroz ou à bordalesa será o mote deste festival, perspectivando – se uma jornada gastronómica com forte adesão de participantes.
Contará também com um programa de animação musical nos dois dias do certame, protagonizado pela atuação de orquestras típicas, grupos de concertinas e animação de rua.
Para o presidente da autarquia, Gonçalo Rocha, a iniciativa apresenta-se como uma forma de " promover a gastronomia e os vinhos locais, pois somos uma região com tradições e a lampreia é uma delas, até porque, o produto gastronomia e vinhos é extremamente importante para a divulgação do que melhor temos em Castelo de Paiva e a lampreia é um bom exemplo disso “, recordando a título de exemplo que, no âmbito dos Fins de Semana Gastronómicos, iniciativa promovida pelo Turismo do Porto e Norte de Portugal, o município já contempla uma jornada dedicada aos apreciadores deste ciclóstomo, que este ano está marcada para 16, 17 e 18 de Fevereiro, em seis restaurantes do concelho.

“É importante que venham comprovar e sentir este valor gastronómico, enquanto marca identitária e cultural, pois é fundamental para promover o território e potenciar o desenvolvimento local, sendo que, este apelo gastronómico, também é uma oportunidade para mostrar o património cultural desta terra”, evidenciou o edil paivense, destacando a oportunidade única para degustar lampreia a preço justo, associada aos melhores vinhos verdes desta Sub Região de Paiva.

Texto:

"A ti, lampreia.
Neblinas durienses, soturnidades absolutas, socalcos austeros - conjugações únicas deste rio, outrora, ninho das bailarinas rastejantes.
Subtilmente presentes, constituíram no passado um apoio financeiro indubitável.
Lavadas em prantos, viveram as varinas de saia preta e pés descalços, esperavam os barcos ao som dos melódicos assobios do timoneiro de braço duro e cruz ao peito.
Soberbo ouro que nos decorou de vaidade cultural, que pautou o dia a dia dos carros de bois, nas ruas de pedra.
Movimentos elegantes e naturais fazem delas Rainhas do seu palácio aquático que se dá pelo nome de Douro.
Nobres seres, que pela vida dão a morte como gesto representativo do legado natural e afectuoso, existencialmente eterno.
Dão mergulhos no néctar das altas vinhas do concelho, são tingidas pela cor da uva e cozinhadas pelas mãos sábias dos mestres atrás do fogão, de geração em geração.
São os nossos rubis, vermelhos como o sangue no arroz que tinge as travessas de prazer."