COMO CUIDAR DAS FACAS- JOÃO ISIDRO

E depois de comprada uma faca, como cuidar?
Tenha ela custado 1,10, 100, 1000 ou 10.000 EUR

Se se tratar de uma faca com elevado valor de aço carbono,esse cuidado tem de ser triplicado e neste caso deve-se hidratar a lâmina com uma qualquer gordura.  A mais famosa e histórica, desde os Samurais, segundo se diz, é o óleo de semente de Camélia. Esta limpeza deve feita sempre com a lâmina limpa. Se tiver uma faca com punho de madeira hidrate-o de vez em quando, também.
Nunca, mas nunca coloque a faca na máquina de lavar, porque a festa que ocorre lá dentro pode fazer com que as lâminas choquem,umas contra as outras, danificando-as. Para além disso, os químicos dos detergentes podem também danificar a lâmina, por serem extremamente abrasivos.  Ao lavar à mão nunca se deve usar a parte abrasiva do esfregão, risca a lâmina. Também se devem usar detergentes neutros.
Nunca use a faca contra vidro ou uma base de pedra porque o vidro e a pedra são mais duros que a lâmina, logo podem danificá-la, o…

COMIDA ESCRITA



Coração
Ó tu que tens o coração nas mãos!
Ouve os sinos enferrujados! Anunciam de lá as missas das atrocidades e dos sermões mal contados. 
Tiranias cantadas e uns vinhos cuspidos atrás do altar das promessas. 
De palmadinha em palmadinha, vão entrando para ouvir - de coração - os missionários poderosíssimos, pioneiros na frívola sensação pacata de nada fazer. 
Basta sonhar,diz o padre do altar!
Basta acreditar, diz o leigo defronte à Santa injustiça! 
Não rezo e não entro.
Faço e procuro.
Abro o dicionário e vejo que "altar" rima com "pastar".
Faz-se luz no meu cérebro! Deito-me e adormeço. 
É isto um snack. Para comer de boca fechada.




A Cebolinha

Genialidade quente e amorosa na simplicidade nua e fria.
Quanta magia no tempo do sóbrio acto!
Quanta sobriedade na irrealista verdade absoluta de querer tudo e nada possuir!
Quanta realidade na vida para lá do que está morto e enterrado!
Quanta verdade renasce agora sobre o que se enterrou!
Não há magia, sobriedade, realidade nem verdade,
há tempo para saborear a magia da irrealidade absoluta do que está enterrado e que agora ressurge como aquilo que simplesmente não nasceu.



Atum

De atum em atum, a vida vai-se escrevendo.
Nos laços da amizade, entrelaçam-se os nabos da colheita hibernal. 
Estonteante alegria dos gemidos que voam em eco, na espuma que era do mar e que agora é de bivalve. 
Será para sempre um entrelaçado de peixe, carregado de pecado ceremonioso e elegante.
Será para sempre o que tu e eu quisermos, porque da vontade se faz o desejo e do desejo nasce a vontade. 
Mesmo que não haja vontade...Deseja!
Afinal de contas, desejar não é nada mais do que ter vontade de avançar sem hesitar!


Caviar

Sim! a vida passa... com ou sem máscara! 
Sim é mentira isso que se come e diz-se comido porque se comeu.
Ilusão pragmática do pensamento que não come, só pensa... quando pensa! Haverá noutra esquina ou lata, quiçá.
Não é necessário sentir o que se come. Não é necessário comer o que se sente.
O que se sente, serve para ser sentido. O que se come, serve para se comer.
Os fracos sentem, os famintos alimentam-se!
Informais formalidades do caviar e outras que tais.
Entretanto... tudo é devolvido numa breve fumarada que se esfuma, porque não queima, nem fica!
Eu não como, nem sinto, porque não tenho fome nem de uma coisa nem de outra.



Lavagante

Ó bicho mete o cone na cabeça!
Mete! 
Protege o teu despótico juízo! 
Achavas-te o maior dos seres nas profundezas oceânicas? 
Achavas-te protegido pelo breu do luar ao cabo do bojador? 
Acalma-te.Dizem por lá que terás outra oportunidade.
A rede que te pescava partiu. 
Mas não te alegres! 
Irás, em breve, para a pátria que te pariu.
Por fim, nada restará de ti além da planta que sobre o teu chapéu floriu.





Endívia

Aprecio o som das endívias, sem boca, nada dizem, mas eu gosto de ouvir o que têm para dizer.

Não é fácil confrontar a natureza destas espécies.
Para as trabalhar usa-se sempre sal, do sincero, não ficam muito boas, confesso, pedem sempre um pouco de açúcar, do falacioso.

Como nunca acreditei nas frigideiras da civilização, prefiro definhar com a hipertensão.
Não permito amarelar ou corromper o meu esqueleto com o açúcar calmo, doce e eternamente movediço. 
Posso lambuzar os meus olhos de mel e sentar-me confortavelmente no sofá de rosas...? claro que sim! posso tanta coisa afinal!

Mas não posso,nem consigo, esquecer-me de duas coisas :
os olhos lavam-se,
as rosas secam,
sempre.





 Vacas

São muros fortes, colinas íngremes, pântanos lamacentos. 
Vacas a passar, bois a pastar.

No fim de cada meta há o suor dos que quebram os muros. 
Do cimo de cada colina vê-se a imensidão provocadora do Deus do sol.

O pântano não é, nem será, mais escuro na hora de recolher, para os bois, que enlameados seguram a vaca na mão.

De prato partido e de faca quebrada, há nisto o mistério da fome deslumbrada.

Esta é a vaca desnaturada que por acaso é maturada