COMO CUIDAR DAS FACAS- JOÃO ISIDRO

E depois de comprada uma faca, como cuidar?
Tenha ela custado 1,10, 100, 1000 ou 10.000 EUR

Se se tratar de uma faca com elevado valor de aço carbono,esse cuidado tem de ser triplicado e neste caso deve-se hidratar a lâmina com uma qualquer gordura.  A mais famosa e histórica, desde os Samurais, segundo se diz, é o óleo de semente de Camélia. Esta limpeza deve feita sempre com a lâmina limpa. Se tiver uma faca com punho de madeira hidrate-o de vez em quando, também.
Nunca, mas nunca coloque a faca na máquina de lavar, porque a festa que ocorre lá dentro pode fazer com que as lâminas choquem,umas contra as outras, danificando-as. Para além disso, os químicos dos detergentes podem também danificar a lâmina, por serem extremamente abrasivos.  Ao lavar à mão nunca se deve usar a parte abrasiva do esfregão, risca a lâmina. Também se devem usar detergentes neutros.
Nunca use a faca contra vidro ou uma base de pedra porque o vidro e a pedra são mais duros que a lâmina, logo podem danificá-la, o…

COZINHAS COM HISTÓRIA - PALÁCIO DA PENA


Cozinha do Palácio da Pena

No século XII foi construída no lugar que hoje conhecemos como Palácio da Pena, uma Ermida-Santuário Mariano, dedicada a Nossa Senhora da Pena.

Em 1503 D. Manuel I, desenvolveu e enraizou o culto neste local, sendo construído, por ordem deste rei, um convento destinado à Ordem de São Jerónimo.

Em 1838, D. Fernando II compra o imóvel que já se encontrava em ruínas, em parte devido ao terramoto de 1755, decide restaurar e ampliar o que restava do antigo mosteiro.


Rainha D.Amélia e o seu filho D.Manuel que se tornou Rei de Portugal e Algarves


Após a morte de D. Fernando II, o palácio é adquirido pelo Rei D. Carlos e D.Amélia que tinham na época ao seu dispor mais de 150 criados
.
A Rainha D. Amélia viveu ali até ao final da monarquia, em 1910.


Para ficarem com uma ideia de como era organizado um jantar real, deixo no final deste artigo um excerto de uma crónica de Garcia de Resende aquando do casamento de D. Afonso com D. Isabel de Aragão, no Séc.XVI, um pouco mais primitivo (aproximadamente 300 anos antes da existência do Palácio da Pena) mas com valor, pela curiosidade.



Cozinha do Palácio da Pena
Foto: Tiago Lopes

Formas em cobre de vários tamanhos e feitios usados na pastelaria do Palácio.


Cozinha do Palácio da Pena
Foto: Tiago Lopes


Cozinha do Palácio da Pena
Foto: Tiago Lopes

Estes fogões foram produzidos pela serralharia Lisbonense de Manoel Silvestre, na época era a melhor serralharia em Portugal, como podemos verificar no excerto abaixo, retirado da revista Universal Lisbonense de 1844:

"... officina de serralharia muito perfeita com excellentes forjas e grande variedade de tornos: ficará egual ás melhores das nações estrangeiras,logo que lhe chegue o grande torno de calibrar metaes que faz tençao de comprar em Inglaterra..."




Cozinha do Palácio da Pena
Foto: Tiago Lopes

Bancada em mármore com vários utensílios de pesagem e confecção. Podemos ver também várias peixeiras em cobre.
Nesta época era pouco comum o consumo de carnes e de peixe,  alimentos essencialmente reservados às classes mais abastadas.


Cozinha do Palácio da Pena
Foto: Tiago Lopes



Cozinha do Palácio da Pena
Foto:Tiago Lopes


Cozinha do Palácio da Pena
Foto: Tiago Lopes

Infelizmente não encontrei nenhuma ementa do Palácio da Pena. Abaixo apresento dois exemplares de dois Palácios diferentes que, de uma forma geral, representam o modelo da época.




Ementa servida no Palácio da Ajuda a 20 de Maio de 1886
Nas ementas do Palácio da Ajuda e do Palácio das Necessidades (abaixo) é notório o estilo marcadamente francês. 


     Ementa servida no Palácio das Necessidades a 10 de Maio de 1886






Uma das salas de jantar do Palácio da Pena




Cozinha do Palácio da Pena
Foto: Tiago Lopes


Cozinha do Palácio da Pena
Foto:Tiago Lopes

Todos os utensílios estão gravados com o monograma coroado de D.Fernando II 


Cozinha do Palácio da Pena
Foto: Tiago Lopes

Inscrições P.P. - Palácio da Pena




Cozinha do Palácio da Pena
Foto: Tiago Lopes


Com a implantação da República Portuguesa, o palácio foi convertido em museu, com a designação oficial de Palácio Nacional da Pena

Em 1945, a Rainha D. Amélia, de visita a Portugal, voltou ao Palácio da Pena, onde pediu para estar sozinha durante alguns minutos: era o seu palácio predilecto... o meu também.

Excerto da crónica de Garcia de Resende aquando do casamento do príncipe  D.João com D.Isabel de Aragão:



« [...] E a mesa de El-Rei com tôdolos oficiais vestidos de brocados, e servida por moços fidalgos que serviam de tochas e bacios, ricamente vestidos. E as outras mesas todas com trinchantes e oficiais vestidos de ricas sedas e brocados e mui galantes, e assim os moços da câmara ordenados a cada mesa, todos vestidos de veludo preto. No qual banquete houve infinitas e diversas iguarias e manjares, e singular concerto e abastança e muitas e assignadas cerimónias. E quando levaram à mesa de El-Rei as iguarias principais e fruta primeira e derradeira, e de beber a ele e à Rainha, e ao Príncipe e Princesa, íam sempre diante, dois e dois, muitos porteiros de maça, reis de armas, arautos e passavantes, os porteiros-mores, quatro mestres-salas, o veador, e os veadores da fazenda, e detrás de todos o Mordomo-mor, e todos iam com os barretes na mão até o estrado, onde faziam suas grandes mesuras, e os veadores da fazenda iam com os barretes na cabeça até o meio da sala, e do meio por diante os levavam na mão, e o Mordomo-mor ia sempre coberto até o fazer da mesura, que juntamente fazia e tirava o barrete. E era tamanha cerimónia que durava muito cada vez que iam à mesa [...] E logo à entrada da mesa veio uma grande carreta dourada, e traziam-na dois grandes bois assados inteiros, com os cornos e mãos e pés dourados, e o carro vinha cheio de muitos carneiros assados inteiros com os cornos dourados, e vinha tudo posto num cadafalso tão baixo com rodetas por fundo dele, que não se viam, que os bois pareciam vivos e que andavam. E diante vinha um moço fidalgo com uma aguilhada nas mãos picando os bois, que pareciam que andavam e levavam a carreta, e vinha vestido como carreteiro com um pelote e um gabão de veludo branco forrado de brocado, e assim a carapuça, que de longe parecia próprio carreteiro, e assim foi oferecer os bois e carneiros à Princesa e feito o serviço os tornou a virar com sua aguilhada por toda a sala até sair fora, e deixou tudo ao povo, que com grande grita e prazer foram espedaçados, e levava cada um quanto mais podia.


E assim vieram juntamente a tôdalas mesas muitos pavões assados com os rabos inteiros, e os pescoços e cabeça com toda a sua pena, que pareceram muito bem por serem muitos, e outras muitas sortes de aves e caças, manjares e frutas, tudo em muito grande abundância e grande perfeição».

Documento original aqui: VER


Bibliografia:
RESENDE, Garcia.Crónica de D.João II,1522?
RIGAUD, Lucas. Arte da Cozinha,Colares editora,1ª Ediçao, 2004
RAMALHO, Margarida de Magalhães.Os Criadores da Pena, parques de sintra monte da lua,2013