ALAIN DUCASSE AU PLAZA ATHÉNÉE - PARIS

Entre milhões de restaurantes que existem no mundo inteiro este é especial e diferente, não só pelo chefe que assina a carta como pela vista para o mítico monumento - Torre Eiffel  
O hotel foi inaugurado em 1911 e conta hoje com 154 quartos, vendidos em média por 1100 Eur./noite.
A entrada deste hotel é imponente, não deixando quaisquer dúvida relativamente ao que se poderá encontrar no seu interior. 

No respectivo lobbie cumprem-se rigorosamente todos os salamaleques característicos neste tipo de estabelecimentos.

A decoração da sala de jantar é majestosa, mas ao mesmo tempo sóbria. No centro está um enorme candeeiro com cristais Swarovski que deixa qualquer pessoa boquiaberta.

A cozinha é chefiada por Romain Meder – um discípulo de Hélène Darroze e na pastelaria é a reconhecida Jessica Prealpato quem assume os comandos.



A equipa do restaurante é constituída por cerca de 20 empregados de mesa e 20 cozinheiros para, aproximadamente, 20 clientes.
O serviço é rápido e pouco aborrecid…

VOCÊ É DA ÉPOCA?


Caro Leitor,

Actualmente, há uma maior delicadeza para a sazonalidade do produto, estaria a mentir se não o referisse. Existe, porém, uma grande demagogia no tratamento do assunto. 
Quanto aos restaurantes em que os cozinheiros vão à pesca de manhã para cozinhar os peixes de seguida, acho realmente engraçado, pelo menos enquanto o sonho durar. Menos graça deve achar o chefe Thomas Keller, pois ele próprio, cumpre o ciclo e produz efectivamente. O leitor pode, com todo o direito, achar este movimento ecologista e moderno, mas se lhe disser que, pese embora noutro formato, já constava no Regula Benedicti do séc. VI escrito por Bento de Núrsia, cuja regra ordenava que se comesse exclusivamente o que se produzia, o caso muda, principalmente quando chegamos à conclusão de que estamos continuadamente prisioneiros dos editoriais mais vendidos.
A exacerbada cagança das velhas novidades vendidas como regenerativas, aproveitadas pelos populistas, incansavelmente desejosos de um espaço na impressora, produzem peças caricatas como a que se segue.
Já se passaram umas semanas desde que quebrei uma promessa: não comprar imprensa generalista! Mas, como cozinheiro, não me resignei a um suplemento de gastronomia, aparentemente bem trabalhado. Contava eu com uma boa leitura. Lidas as primeiras páginas eram inúmeras aleivosias, para o meu pobre e desconsolado cérebro. A dado momento parei na parte em que o entrevistado, cozinheiro de profissão, se autodenominava senhor da sazonalidade e localidade, pensei eu que trabalhava apenas no Inverno, num determinado local. Percebendo o contexto, mudei de ideias, sobretudo quando o que apresentou se limitava a um foie gras com cereja. Ah! Mas afinal o senhor cozinheiro referia-se mesmo às iguarias? Em Outubro? Em Portugal? Na altura fiquei com uma lágrima no canto do olho, acabou por secar e continuei insistentemente absorvendo as novidades da sua cozinha "simples", segundo o próprio.
Desta vez o brilharete noutro prato com batata e um solitário filete de peixe. Pensei para com os meus botões se haveria de lhe dizer para ir semear batatas ou ir à pesca de modo a repensar o seu conceito de simplicidade.
Ninguém é dono absoluto da razão, mas se disserem que procuram usar o máximo de produtos de uma determinada região, se disserem que têm uma cozinha directa... Deixem lá as palavrinhas delusórias e fantasiosas para os cândidos homens iletrados.
Obra de Maria João Faustino ,2016