PAI NOSSO QUE ESTAIS NO CÉU, SANTIFICADO SEJA O VOSSO..

Digamos que, em pleno séc. XXI, o tema «Motivação» continua a ser tabu. Para espanto ou desagrado do leitor este continua a ser um debate que estremece os grandes velhos do Restelo, de sorriso amarelo. 
“Gosto de falar no plural, eu e a minha equipa“ ou "não me posso esquecer da minha equipa, eles são o mais importante para mim" estescontinuam a ser dos jargões mais utilizados para agrado das revistas cor-de-rosa e consequente vénia dos transeuntes menos informados, cá do burgo. A ironia está lá sempre, disfarçada por entre algumas patacoadas nervosas. Por cá, do outro lado da civilização menos representada, embora mais representativa, existe um certo desprezo para com essas lindas frases (lindas mesmo!) , porque na prática, sabemos que se resume (na maior parte das vezes) a um mero SLOGAN político. Nos casos mais sensíveis uma lágrima pode cair do canto do olho, mas depois passa. 
Mas afinal o que é isso de motivação ? Pagar uma bifana e uma palmadinha nas costas? Não. Um sor…

Arte Racional



Onde há seres humanos existem problemas, por definição. Para todas as situações há um acto, uma consequência e uma solução. Em cada um dos estádios, digamos, podemos tomar inúmeras atitudes que, não obstante dependerem das circunstâncias, devem ser sempre alvo de análise atempada de forma a não corrermos o risco de julgamentos contraproducentes.

Um dia, um colega perguntou-me porque razão lia um livro de psicologia. Respondi, dizendo apenas, que cozinhar e todo o seu enredo trata-se 50% de cozinha e 50% de psicologia ou emoção, como me disse outro colega, o Ruben do restaurante O Paparico. Do estudo técnico não abdico, mas se pensarmos que a psicologia está presente em quase tudo no dia a dia, não é assim tão irrelevante.



Christian Schloe
Philip Johnson-Laird, conhecido professor da Universidade de Princeton, disse a propósito: - “…os seres humanos são racionais, em princípio, mas erram na prática, ou seja, os seres humanos têm a competência para serem racionais, mas os seus desempenhos são limitados por vários factores…”

Tenho para mim vários exemplos de líderes da cozinha nacional e internacional, que se souberam adaptar aos novos tempos, fugazes, onde tudo aparece e desaparece a uma velocidade estonteante. 

A adaptação é a palavra de ordem, seja a um colega de trabalho seja a um local. No meu caso, por exemplo, adapto-me com relativa facilidade, mas se há coisa a que jamais me habituarei, será à irracionalidade dos seres racionais. Sempre defendi - e defendo - soluções irrevogáveis, ponderadas e fundamentadas, não procuro compactuar com actos dolosos ou imaturos que afectam as organizações, por vezes de forma transversal.

Sou um cozinheiro que vê na sua profissão um objectivo: cozinhar para agradar a terceiros que pagam pelo serviço.
Nem sempre é assim tão simples. Sendo este um negócio de pessoas para pessoas, obviamente que a racionalidade é sempre chamada a primeiro plano, quando o imperativo da circunstância é resolver um problema .

Aquando da tomada de decisões, sigo sempre pela via que, no meu entender, é a mais justa. Abstenho-me de relações pessoais e sentimentos, levo a minha análise ao pormenor, da maneira mais pragmática e imparcial possível.

Poderá até ser uma arte, a arte do equilíbrio, que apela sempre à proporção entre os nossos actos e a nossa experiência, definindo a racionalidade dos nossos pensamentos.

Este é um texto inacabado, talvez sem um final visível, tal e qual os prepósteros comportamentos de mentes pobres que assolam o sossego dos seres que procuram afirmar a congruência como hábito no sistema que se chama de sociedade.


“Homo Homini Lupus” Thomas Hobbes, séc XVII