ALAIN DUCASSE AU PLAZA ATHÉNÉE - PARIS

Entre milhões de restaurantes que existem no mundo inteiro este é especial e diferente, não só pelo chefe que assina a carta como pela vista para o mítico monumento - Torre Eiffel  
O hotel foi inaugurado em 1911 e conta hoje com 154 quartos, vendidos em média por 1100 Eur./noite.
A entrada deste hotel é imponente, não deixando quaisquer dúvida relativamente ao que se poderá encontrar no seu interior. 

No respectivo lobbie cumprem-se rigorosamente todos os salamaleques característicos neste tipo de estabelecimentos.

A decoração da sala de jantar é majestosa, mas ao mesmo tempo sóbria. No centro está um enorme candeeiro com cristais Swarovski que deixa qualquer pessoa boquiaberta.

A cozinha é chefiada por Romain Meder – um discípulo de Hélène Darroze e na pastelaria é a reconhecida Jessica Prealpato quem assume os comandos.



A equipa do restaurante é constituída por cerca de 20 empregados de mesa e 20 cozinheiros para, aproximadamente, 20 clientes.
O serviço é rápido e pouco aborrecid…

Desculpa lá


 Por muita graça que possa ter, é assustador.
Trata-se de uma história verídica.

Acontece no Porto, em plena época alta.
Altura em que todas as mãos são necessárias.

Poderia até alterar o título para “O diário de uma estagiária de 12h", mas fico-me pelo "desculpa lá".

Primeiro dia: A estagiária entra ao serviço, é-lhe explicado todo o funcionamento da cozinha, tudo mesmo, até como ligar o fogão.

Segundo dia: Já foi muito mais exigente, palavras dela, não minhas, a começar pelo horário repartido; no primeiro turno foi explicado o funcionamento de uma determinada partida em detalhe, partida essa que tem 40 tarefas diárias para cumprir em 180min, 10 dessas tarefas seriam para ela.

A mocinha teria que começar por algum lado, para que no final do estágio até quem sabe, ser contratada.

No segundo turno, aparece na cozinha sem estar fardada. Na minha inocência, pensei cá com a minha jaleca: "que mocinha aplicada, vem à civil ajudar a arrumar as compras, sim senhora!" 

Chama por mim: “-Tiago, não venho trabalhar”. De novo o ingénuo pergunta: “-Mas precisas de alguma coisa? Sentes-te bem?" "-Não Tiago, não estás a perceber, não venho mais trabalhar, desculpa lá!"
Perplexo, só me ocorreu "-ok, adeus" após um minuto e uns quantos desabafos à moda do Porto (mas ninguém ouviu).

O caso é sério e não será o único.

Não querendo entrar em pedagogias, muito menos em analogias nostálgicas "ah e tal no meu tempo é que era", tento ser crítico e pragmático o suficiente para admitir que os tempos são outros, mas os valores da educação, do sentido de responsabilidade, do compromisso terão que ser subjogados à insignificância?

Para a formação de um ser humano e de um futuro profissional, são os pilares base, estou certo disso. Estou certo também que não é na escola que se incute tal disciplina, a escola instrui a família educa.

Talvez a juventude de hoje, habituada ao instantâneo e fácil, esteja a ser formada numa base de desculpabilização do chamado "tanto faz”. Embora não seja justo generalizar, mas aqueles que querem fazer do carpe diem a sua máxima diária, ou gozar da boa vida enquanto a têm, que façam, que gozem, mas que não inoportunem quem trabalha e de preferência não me apareçam à frente!

Mas como a vida segue ,estás desculpada!