CRIATIVIDADE (IN)CONSCIENTE

Publicado originalmente no ETASTE
Surge de forma consciente ou inconsciente. A parte consciente, a que controlamos, é gerida pelo lado mais racional, normalmente fechada sobre si. É o resultado do natural processo cognitivo. Esta pode ser afetada por fatores externos e até próprio estado de espírito. A parte inconsciente, a que não dominamos e nem sequer conhecemos verdadeiramente, é a responsável pelo nosso lado mais infantil e primitivo de toda a associação de ideias. Juntas são nada mais nada menos que sistemas organizados, quase automáticos na forma e no lugar. Servem-nos para agilizar o processo que se quer tão lento quanto possível.
Lentidão é a palavra-chave. A rapidez perturba quase sempre a tomada de decisões. Por isso não é bem-vinda, apenas na execução. A lentidão é por isso benéfica, pois resulta frequentemente, em vários processos difusos que se acumulam na desordem. A confusão ou mudança de perspetiva é obrigatória. A partir destas haverá, naturalmente, um início, e com is…

A praga


Chegou tímida ao nosso Portugal, em meados dos anos 90; com o agravamento da crise económica despertou ainda mais o interesse da comunidade empresarial. Viram nela uma oportunidade perfeita gerarem  "cash flows" mais avultados.
Um belo presente envenenado esse, que chegou da América. Anunciada em placares gigantes que ocupam meia rua, até os transeuntes mais distraídos neles tropeçam. Quem é atraído julga ter descoberto a galinha dos ovos de ouro.
São presentados com produtos de baixíssima qualidade onde os conservantes e corantes abundam.No interior de tais estabelecimentos sobra apenas espaço para um corredor estreito, por onde passam os empregados atarefados, dividindo o tempo entre a arca congeladora e as vitrines, onde são colocados aqueles bolinhos com aspecto vidrado, fruto dos 18 graus negativos durante o seu armazenamento.
A clientela amontoa-se nas linhas de self, sorridentes com os seus tabuleiros de plástico, esperando a sua vez para o pagamento; umas moedas são suficientes, por fim é só abrir o saquinho dos talheres, et voilá bon appétit.‎
Caro leitor, por mais irónico que possa parecer este texto, retrata infelizmente a realidade, intrusiva e destrutiva nos dias de hoje.
Destrói a reputação da nossa gastronomia, asfixia os estabelecimentos que trabalharam bem e cobraram o justo e que hoje na sua grande maioria são forçados a aderirem também ao movimento, oferecendo entrada (um palito e um croquete), prato principal (fêvera de porco com bastante óleo), sobremesa (bolo com 2 dias), cafés (de cafeteira), um rebuçadinho para o pequenote e ainda um lugar de estacionamento, tudo por apenas 3,92€.

Essa praga chama-se "Low-Cost"!

Sejamos orgulhosos, sejamos justos!