A CIÊNCIA DOS CALDOS BASE

Aprender o significado e os porquês de cada reacção constitui, por si só, uma valiosíssima ferramenta de trabalho.

O que são? Os caldos são a base de toda a cozinha, isto é, para quase todas as elaborações eles estão presentes, seja num prato de carne, peixe, arroz ou outro.

Lígia Santos

Quase sempre, em qualquer revista, em qualquer televisão existe um artigo/programa sobre cozinheiros!

Pórem  99% dos cozinheiros cozinheiros tem influências femininas,mães,avós...

O porquê de tanto portagonismo em torno de nós homens?
Será que não existe grandes profissionais mulheres?
 O que está a falhar?
(Deixo a pergunta para todos vocês)

Decido então contrariar a tendência, com uma pequena entrevista a uma grande profissional!

Lígia Santos... 

 
Como era a sua vida profissional ate 2011? 

Durante aproximadamente 10 anos trabalhei como engenheira civil, em planeamento, projecto e direcção de obras. Trabalhei individualmente e em equipa. Fui liderada mas também soube liderar. 
 Como se desenvolveu o gosto pela cozinha? 

O meu gosto pela cozinha nasceu comigo. Lembro-me que desde criança sempre brinquei a fazer cozinhados com ingredientes verdadeiros e a primeira experiência da qual me lembro perfeitamente com uns 4, 5 anos é de fazer um pudim flan com a ajuda do meu pai. 

 O que a levou a participar no masterchef? 

Para quem gosta de cozinhar como eu, viu no masterchef uma oportunidade para aprender mais, independentemente do título de vencedor. Para mim seria uma experiência  durante a qual teria a oportunidade de poder fazer o que realmente gostava de manhã à noite, enriquecer-me tecnicamente e evoluir na cultura gastronómica. Aprendi imenso durante a minha participação no programa. 
Claro que, para qualquer um dos participantes, o objectivo seria ganhar, o que se poderia revelar numa oportunidade única para realizar projectos associados à cozinha. 

 Alguma vez pensou que iria ser vencedora? 

O percurso masterchef, começou muito antes das primeiras gravações. Começou a inscrição, com a expectativa de se ser seleccionado, continuou com pré-castings, entrevistas e castings. 
Entre aproximadamente 7000 candidatos, não tinha confiança em ser a vencedora. 
Com o decorrer do programa e à medida que ganhava alguns desafios ia-me sentindo com mais confiança e cada vez mais acreditava ser possível. Contudo, mesmo na final, tanto poderia ganhar eu como o Luís. 
 Foi facil gerir a sua vida familiar/profissional com o programa? 

O que mais me custou foi estar longe da minha família, da minha casa, das minhas rotinas. Estar numa cidade que só visitava em lazer, em férias e sempre com companhia de amigos ou familiares, fez-me sentir um pouco perdida. Por outro lado, sabia que a minha família estava bem entregue e sempre que podia, aos fins de semana, estava em casa. 



 Fizeram-se muitas criticas ao programa nomeadamente que o australiano era melhor que o portugues!Concorda? 

Concordo que quem tinha como bitola o formato australiano repare em algumas diferenças relativamente ao português. No entanto, é preciso perceber que o programa “masterchef” não tem um só formato e o português é comparável com o americano e não com o australiano. 
Temos sempre que ter em atenção a dimensão do nosso país e a disponibilidade de recursos quer materiais quer humanos para se produzir programas desta escala. Se compararmos os dois formatos, o português e o americano, penso que em nada ficamos atrás dos nossos congéneres americanos. Toda a equipa que produziu e realizou este programa está de parabéns. 


Se houvesse nova edicao participaria? 

Participar no masterchef é uma oportunidade única para quem verdadeiramente gosta de cozinha e tem vontade de aprender mais. Não teria dúvidas em voltar a participar.

 O projecto "mastercook" nasceu via masterchef ou foi um investimento pessoal? 

O Club masterCOOK  nasceu porque venci o título de 1ªmasterchef de Portugal. A mediatização que um programa destes nos oferece permite que algumas portas se abram. Aproveito esta oportunidade para salientar que é preciso ir bater a essas portas para que nos sejam abertas. É preciso planeamento, trabalho e vontade de vencer. Este trabalho tem que ser diário para que estas portas se mantenham abertas e para que muitas outras se abram. Agradeço a todos os nossos parceiros que em nós acreditaram e nos apoiaram para que o desenvolvimento fosse possível. Sem estas parcerias teria sido muito difícil arrancar com o projeto. O Club masterCOOK trata-se de um projecto pessoal e investimento pessoais que surgiu por ter vencido o masterchef. 

 Acha que portugal ainda tem alguma coisa a dizer a nivel gastronomico para o mundo? 

Se Portugal ainda tem alguma coisa a dizer… considero que agora é que Portugal tem o que dizer ao mundo, a nível gastronómico. AGORA e cada vez mais é que temos que confiar em nós, acreditar nas nossa cultura gastronómica, aproveitar ao máximo as nossas raízes e promover e divulgar os nossos produtos. 
Temos que conhecer o que de melhor se produz em Portugal, utilizar esses produtos e “vendê-los” como eles são – excelentes! 

Tencionava seguir a vida de cozinheira mesmo que não vencesse o programa? 

Já há muito que queria mudar a minha atividade profissional. Sentia que não me realizava na plenitude. Existia um vazio que teria de ser preenchido. Queria fazer algo que triangulasse a cozinha, a agricultura bio e o turismo. Mesmo que não vencesse, o objetivo seria o mesmo.

 O que sentiu no preciso momento em que foi anunciada a vencedora? 

Senti que vale a pena acreditar, confiarmos nas nossas capacidades e sonhar. Que devemos sempre trabalhar para os nossos objectivos e nunca dar nada como perdido.


 Projectos,ambicoes, sonhos para o futuro? 

Desenvolver e evoluir no projecto Club masterCOOK. Conseguir associar a cozinha, a agricultura bio e o turismo num triângulo perfeito. Quero promover as nossas raízes gastronómicas, associando-as a produtos portugueses de excelência e fazê-los ultrapassar fronteiras. 

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