COMIDA ESCRITA

Coração Ó tu que tens o coração nas mãos! Ouve os sinos enferrujados! Anunciam de lá as missas das atrocidades e dos sermões mal contados.  Tiranias cantadas e uns vinhos cuspidos atrás do altar das promessas. De palmadinha em palmadinha, vão entrando para ouvir - de coração - os missionários poderosíssimos, pioneiros na frívola sensação pacata de nada fazer. Basta sonhar,diz o padre do altar! Basta acreditar, diz o leigo defronte à Santa injustiça!  Não rezo e não entro. Faço e procuro. Abro o dicionário e vejo que "altar" rima com "pastar". Faz-se luz no meu cérebro! Deito-me e adormeço.  É isto um snack. Para comer de boca fechada.



A Cebolinha
Genialidade quente e amorosa na simplicidade nua e fria. Quanta magia no tempo do sóbrio acto! Quanta sobriedade na irrealista verdade absoluta de querer tudo e nada possuir! Quanta realidade na vida para lá do que está morto e enterrado! Quanta verdade renasce agora sobre o que se enterrou! Não há magia, sobriedade, realidade nem verd…

Amêijoas á Bulhão Pato? Quem não gosta...

 
 
 
Faz hoje cem anos que morreu o poeta mais gastronómico de portugal.
Um dos ultimos romanticos do sec XIX bulhao pato fez de sua casa o monte da caparica,
em tempos em que as lebres e perdizes em abundância faziam da caça uma actividade perdilecta.
 
Bulhao dizia ter mais orgulho num bom prato que num verso alexandrino.
 
Aos doze anos ficava orfão, ingressava entao no colegio interno de quelhas.
Entre 1846 e 1848 conhece Alexandre herculano e Almeida Garrett.
 
Em 1890 bulhao construiu a sua casa no monte da caparica para onde convidou todos os seus amigos,
 algures nesta altura, pensa-se que foi o chefe João da Mata do hotel bragança,
 em lisboa, que improvisou uma simples receita de ameijoas em honra de Bulhao, 
que não se cansava de as comer e que ja tinha habituado desde cozinheiros a roteiros gastronomicos.
 
O berço das ameijoas à bulhão pato continua a ser a Tasca do aires,Trafaria.
 
 
Morada: rua tenente maia,20, Trafaria
Contacto:212950846
Preço das amêijoas:12 euros
 
Adaptado do suplemento em: Jornal I, numero 1017