CRIATIVIDADE (IN)CONSCIENTE

Publicado originalmente no ETASTE
Surge de forma consciente ou inconsciente. A parte consciente, a que controlamos, é gerida pelo lado mais racional, normalmente fechada sobre si. É o resultado do natural processo cognitivo. Esta pode ser afetada por fatores externos e até próprio estado de espírito. A parte inconsciente, a que não dominamos e nem sequer conhecemos verdadeiramente, é a responsável pelo nosso lado mais infantil e primitivo de toda a associação de ideias. Juntas são nada mais nada menos que sistemas organizados, quase automáticos na forma e no lugar. Servem-nos para agilizar o processo que se quer tão lento quanto possível.
Lentidão é a palavra-chave. A rapidez perturba quase sempre a tomada de decisões. Por isso não é bem-vinda, apenas na execução. A lentidão é por isso benéfica, pois resulta frequentemente, em vários processos difusos que se acumulam na desordem. A confusão ou mudança de perspetiva é obrigatória. A partir destas haverá, naturalmente, um início, e com is…

Chefe Carlos Neves

À entrevista na 1ª pessoa:

Nasci no Porto há 44 anos, no seio de uma família em que se destacaram duas excelentes cozinheiras, minha mãe, nascida em Moçambique, terra onde quem cozinhava, cozinhava muito bem, e minha avó. Este foi o meu berço, o inicio dos passos na cozinha.
A cozinhar, comecei há 25 anos, para a família e para os amigos.Segui a minha vida profissional, que nunca teve nada que ver com a cozinha, mas no princípio dos anos 90, Karlos Arguiñano, com a paixão que demonstrava a cozinhar e a facilidade com que o fazia, “cola-me” a televisão. Nascia o meu primeiro Ídolo da cozinha.
O meus hobbies passavam pela cozinha, li muitos livros, revistas, noticias, sites, anotações sobre cozinha, receitas e técnicas, começava-me a sentir, sem ser profissional, autodidacta.
Adorava os fins de semana passados na cozinha, receber os amigos e presenteá-los com pequenos “mimos” gastronómicos, tentando sempre inovar e surpreender.Começo a perceber que a cozinha já só me dá prazer se lá estou 2, 3 horas a cozinhar, quanto mais elaborado e requintado, mais gosto me dava, o poder brincar com as cores dos vegetais, misturar sabores, experimentar novas texturas, fantástico!
Nunca pensei a sério na minha profissionalização na cozinha, mas sentia que tinha crescido e evoluído bastante.
Mas um dia, a minha vida deu uma volta de 180º, com 42 anos decidi voltar para a universidade, inscrevi-me no curso de Fiscalidade e no meio de mais um novo projecto de vida – voltar a estudar - leio uma noticia que falava da Austrália e do que o país é a nível de culinária no mundo.
“Era mesmo isto!”, o meu sonho estava muito perto. Mas era um passo muito importante, por isso seria melhor experimentar trabalhar na cozinha de um restaurante. Então, com ajuda de uma pessoa de família, surge a oportunidade de fazer dois “estágios” profissionais, um com o Chef Manuel Gonçalves, no Restaurante Flor de Sal – Mirandela e outro com o Chef Marco Gomes, no Restaurante Foz Velha – Porto. Também passei uns dias no Restaurante Os Silvas – Braga.
Tudo isto serviu, primeiro para experimentar uma cozinha profissional e toda a pressão que lá existe, depois, para ter a certeza, de facto, que era mesmo isto que queria para a minha vida.
Essa certeza concretizou-se no dia em que arranquei sozinho para Sydney, já matriculado num “Tafe Institute” – escola publica australiana - com o intuito de fazer a minha qualificação na cozinha. Já em Sydney, trabalhei como cozinheiro e Chef de cozinha em restaurantes e empresas de Catering, participei em vários eventos, festivais de alimentação e demonstrações públicas temáticas.
Estou, agora, a 2 meses da concretização de um dos sonhos que nunca imaginei ver concretizado. Valeu a pena, a cozinha é a minha grande paixão!
Quase de malas feitas para regressar a Portugal, estou pronto para iniciar uma nova etapa profissional.