PAI NOSSO QUE ESTAIS NO CÉU, SANTIFICADO SEJA O VOSSO..

Digamos que, em pleno séc. XXI, o tema «Motivação» continua a ser tabu. Para espanto ou desagrado do leitor este continua a ser um debate que estremece os grandes velhos do Restelo, de sorriso amarelo. 
“Gosto de falar no plural, eu e a minha equipa“ ou "não me posso esquecer da minha equipa, eles são o mais importante para mim" estescontinuam a ser dos jargões mais utilizados para agrado das revistas cor-de-rosa e consequente vénia dos transeuntes menos informados, cá do burgo. A ironia está lá sempre, disfarçada por entre algumas patacoadas nervosas. Por cá, do outro lado da civilização menos representada, embora mais representativa, existe um certo desprezo para com essas lindas frases (lindas mesmo!) , porque na prática, sabemos que se resume (na maior parte das vezes) a um mero SLOGAN político. Nos casos mais sensíveis uma lágrima pode cair do canto do olho, mas depois passa. 
Mas afinal o que é isso de motivação ? Pagar uma bifana e uma palmadinha nas costas? Não. Um sor…

Teatro nos bastidores da alta cozinha


por MARIA JOÃO CAETANO05 Novembro 2009
Em 'O Que Se Leva Desta Vida', Tiago Rodrigues e Gonçalo Waddington transformam mesmo o palco do Teatro São Luiz na cozinha de um grande restaurante.
E eis que, de repente, já não estamos na sala do Teatro São Luiz, em Lisboa, mas na cozinha de um grande restaurante. Agitação e aventais brancos, facas ágeis e um chef que grita "vamos lá, pessoal". Há miminhos do chef e gelatina de grelos. Pratos delicados preparados com as mãos a tremer, porque é hora do jantar e os clientes estão à espera.
Esta é a proposta do espectáculo O Que Se Leva Desta Vida?, que se estreia hoje. Os actores e encenadores Tiago Rodrigues e Gonçalo Waddington (com a colaboração do realizador João Canijo) criaram este espectáculo após cerca de um ano e meio de "aturada pesquisa filosófica e gastronómica", com a colaboração de quatro dos melhores cozinheiros do mundo, cujos restaurantes, situados no País Basco e Catalunha, têm três estrelas no Guia Michelin: Santi Santamaria (Restaurante Can Fabes), Carme Ruscalleda (Restaurante Sant Pau), Juan Mari Arzak (Restaurante Arzak) e Martín Berasategui (Restaurante Martín Beratastegui) ofereceram refeições e experiências gastronómicas aos artistas portugueses e disponibilizaram--se para longas entrevistas sobre a sua obra culinária.
Os dois últimos convidaram ainda Gonçalo Waddington e Tiago Rodrigues para um curto estágio nas suas cozinhas, em San Sebastián. Foi uma oportunidade única para verem por dentro as cozinhas dos restaurantes, perceberem a sua dinâmica, descobrirem alguns dos segredos que nunca poderão revelar. "Há um lado científico na alta cozinha, de pesquisa e de experimentação, muito próximo das artes e da pesquisa artística, que está muito presente", explica Tiago Rodrigues. Mas este lado mais artístico convive, nas cozinhas, com uma disciplina quase militar. A autoridade está bem definida e todos têm de saber exactamente o que fazer para que o resultado seja perfeito: "E num restaurante deste calibre, em que se paga tanto por uma refeição, tudo tem mesmo de ser perfeito."
Por isso, nesta cozinha-a-fingir-que-afinal-é-verdadeira, eles tentaram reproduzir essa dinâmica de uma "brigada de cozinha": "Queríamos ter esse lado, que é um lado quase militar, fabril, muito duro, que existe para se chegar àquele rigor e àquela delicadeza. Nós vamos a um restaurante e estamos a comer enquanto, paredes meias, está um exército a queimar-se, a cortar-se, a tentar sobreviver a um dia de 14 horas e isso tem qualquer coisa de muito humano e de muito belo", dizem.
Este podia ser um espectáculo com dois actores a fingir que cozinham. Mas eles foram mais longe. "São dois actores que cozinham em palco. A nossa empresa teatral confunde-se com a empresa de montar uma cozinha", contam. No palco cozinha-se à séria. Há uma ementa, ingredientes, máquinas a funcionar e seis cozinheiros que estão demasiado ocupados a partir e a refogar, a marinar e a empratar, para sequer terem tempo de representar. Enquanto dão ordens e orientações para confeccionar uma refeição em tempo real, os dois chefs vão travando uma batalha pelo prato perfeito, que é também uma discussão filosófica - métodos naturais ou químicos?, aves de caça ou de aviário?, o mais importante é o processo ou o resultado? Uma luta entre dois egos, entre dois modos de cozinhar, entre dois estilos de vida. E, no final, o que se leva desta vida?
Até dia 22, no Teatro São Luiz, Lisboa. Nos dias 11 e 18, os intérpretes e criativos conversam com o público sobre a construção do espectáculo.
Fonte:Dn.sapo.pt