COMIDA ESCRITA

Coração Ó tu que tens o coração nas mãos! Ouve os sinos enferrujados! Anunciam de lá as missas das atrocidades e dos sermões mal contados.  Tiranias cantadas e uns vinhos cuspidos atrás do altar das promessas. De palmadinha em palmadinha, vão entrando para ouvir - de coração - os missionários poderosíssimos, pioneiros na frívola sensação pacata de nada fazer. Basta sonhar,diz o padre do altar! Basta acreditar, diz o leigo defronte à Santa injustiça!  Não rezo e não entro. Faço e procuro. Abro o dicionário e vejo que "altar" rima com "pastar". Faz-se luz no meu cérebro! Deito-me e adormeço.  É isto um snack. Para comer de boca fechada.



A Cebolinha
Genialidade quente e amorosa na simplicidade nua e fria. Quanta magia no tempo do sóbrio acto! Quanta sobriedade na irrealista verdade absoluta de querer tudo e nada possuir! Quanta realidade na vida para lá do que está morto e enterrado! Quanta verdade renasce agora sobre o que se enterrou! Não há magia, sobriedade, realidade nem verd…

Maça moribunda

A acidez é acentuada. Como utilizar? “Na cozinha usamos uma calda de especiarias, com um licor, uma aguardente, tomilho e alecrim.” O tratamento, assegura Martinho Moniz (um dos sub-chefes de Aimé Barroyer no Pestana Palace Hotel ), leva ao desaparecimento da acidez. Na calda aromatizada, as pequenas maçãs mantêm-se em perfeitas condições durante anos. Já a utilização na forma madura torna-se mais complicada devido às questões de conservação.
No Pestana Palace já se usaram moribundas em alguns pratos. Depois de “tropeçar” nos curiosos frutos e interrogar-se sobre o respectivo potencial, Martinho mostrou-as ao chefe Barroyer que as reconheceu e esclareceu da respectiva utilização em alguns países estrangeiros. A entrada na carta do hotel deu-se no Outono, “por ser um produto dessa época”. E na regional do Chefe Cozinheiro do Ano 2008, o jovem cozinheiro associou a moribunda ao prato Leitão sem Barreiras: “Leitão que é um prato da zona de Leiria, Barreira a minha aldeia, sem limites porque tudo é possível, até as moribundas.” Henrique Mouro é outro chefe que também utiliza as diminutas maçãs, no restaurante Club em Vila Franca de Xira.